8 de nov de 2011

Redes Sociais e mobilizações.


Compartilho com os amigos do blog, texto que recebi por e-mail. Frei Betto, fala das novas formas de mobilização. Mobilizações que se iniciam pela internet e ganham ruas a fora, não só no Brasil, mas mundo a fora. Se quiserem comentar, estejam a vontade. Vamos discutir o texto.

Boa leitura!

Por Frei  Betto

 A 7 de setembro, data da  independência do Brasil, ocorreu algo novo: as ruas foram ocupadas por  mobilizações populares convocadas através da internet.

 As pessoas  saíram em passeatas para protestar contra a corrupção, o sucateamento da  educação, e por reforma agrária e auditoria da dívida pública, entre outros  temas. E fizeram questão de imprimir às manifestações caráter apartidário.  Quem se atrevesse a desfilar com sigla de partido político era imediatamente  rechaçado. Ali, no 7 de setembro, uniram-se o Grito dos Excluídos e o grito  dos indignados.

 As ruas do Brasil, até então acostumadas a ver,  nos últimos tempos, apenas manifestações de evangélicos, gays e defensores da  liberação da maconha, voltaram a ser palco de pressão política e reivindicação  popular.

 O poder convocatório das redes sociais é inegável. Elas  possuem uma capilaridade que supera qualquer outro meio de comunicação. E  carecem de censura ou editoração falaciosa.

 Há, contudo, duas  limitações que podem afetar seriamente os efeitos da mobilização internáutica.  A primeira, a falta de proposta. Não basta gritar contra a corrupção ou  aprovar a faxina operada pela presidente Dilma Rousseff. É preciso exigir  reforma política, e propor critérios e métodos.

 Reforma política  com o atual Congresso – composto, em sua maioria, por parlamentares capazes de  absolver uma deputada federal flagrada e filmada recebendo propina – é  acreditar que Ali Babá é capaz de punir os 40 ladrões...

 É  preciso, primeiro, reformar, ou melhor, renovar o Congresso para, em seguida,  obter reforma política minimamente decente. De modo que sejam instituídos  mecanismos que ponham fim às duas irmãs gêmeas madrinhas da corrupção: a  imunidade e a impunidade. 

 Essa renovação deve se iniciar, ano  que vem, pela eleição de prefeitos e vereadores, todos submetidos ao crivo da  Ficha Limpa, e pressionados a apresentar metas e objetivos, como propõe o  Movimento Nossa São Paulo.

 A segunda limitação é o caráter  apartidário das manifestações. Em si, é positivo, pois impede que algo nascido  da mobilização cidadã venha a se converter em palanque eleitoral deste ou  daquele partido político. 

 Porém, na democracia não se inventou  algo melhor para representar os anseios da população que partidos políticos.  Eles fazem a mediação entre a sociedade e o Estado. O perigo é as  manifestações não resultarem na eleição de candidatos eticamente confiáveis e  ideologicamente comprometidos com as reformas de estruturas, como a política e  a agrária. Ou desaguar no pior: o voto nulo.

 Quem tem nojo de  política é governado por quem não tem. E os maus políticos torcem para que  tenhamos todos bastante nojo de política. Assim, eles ficam em paz, entretidos  com suas maracutaias, embolsando o nosso dinheiro e ampliando suas mordomias e  seus patrimônios.

 As redes sociais são, hoje, o que a ágora era  para os gregos antigos e a praça para os nossos avós – local de congraçamento,  informação e mobilização. Foram elas que levaram tunisianos e egípcios às ruas  para derrubar governos despóticos. São elas que divulgam, em tempo real, as  atrocidades praticadas pelas tropas usamericanas no Iraque e no  Afeganistão.

 As redes sociais têm, entretanto, seu lado obscuro e  perverso: a prostituição virtual de adolescentes que exibem sua nudez; o  estímulo à pedofilia; a difusão de material pornográfico; o incitamento à  violência; a propaganda de armas; o roubo virtual de senhas de cartões de  crédito e contas bancárias.

 Espero não tardar o dia em que as  escolas introduzirão em seus currículos a disciplina Redes Sociais. Crianças e  jovens serão educados no uso dessa importante ferramenta, aprimorando o olhar  crítico, o senso ético e, em especial, a síntese cognitiva, de modo a extrair  sentidos ou significações do incessante fluxo de informações e  dados.

 Graças à internet, qualquer usuário pode se arvorar,  agora, em sujeito político e protagonista social, abandonando a passivo papel  de mero espectador. Resta vencer o individualismo e o comodismo e sair à rua  para congregar-se em força política.

Frei Betto é  escritor, autor do romance “Minas do Ouro” (Rocco), entre outros livros.  
http://www.freibetto.org/>    twitter:@freibetto.

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