2 de set de 2011

José Dirceu Vs. Veja. Briga de peixe grande.

Você que adora política e acompanha o dia a dia de Brasília, as trapaças e denúncias diárias de políticos corruptos, ladrões de colarinho branco, idas e vindas dessa gente que apronta e nunca é punida.Tire suas próprias conclusões. Eu tenho a minha forma de pensar e analisar os fatos, não julgo para não parecer injusto. Mas penso e critico. Faça você o mesmo.
José Dirceu travou uma briga contra a revista Veja. (assino veja e não gosto da forma que a revista se porta. Isso para mim não é jornalismo). Mas enfim.
Quero compartilhar um texto maravilhoso de Alberto Dines, genial e completo.
Leia a seguir e comente.

Embora José Dirceu tenha destacado este texto de Dines no seu artigo de hoje, estranha-me a comparação que Dines faz entre as críticas que Lula fazia ao partidarismo da mídia tupiniquim e a ação criminosa de Veja, postas por Dines em pé de igualdade.

Alberto Dines: reportagem de Veja sobre Dirceu um “atentado à inteligência do leitor”

A meu ver são ações completamente diversas, desde a mais óbvia delas, a de que Lula não é jornalista e nunca agiu contra o Estado democrático, nunca censurou ou chegou próximo de algo parecido em relação a qualquer órgão de comunicação no país, enquanto Veja não vê o menor problema em invadir privacidade de hóspedes de um hotel, em usar expedientes da polícia da época da ditadura militar pra atacar, com um jornalismo que não se sustenta nos fatos, os seus inimigos políticos.
Imprensa em Questão: JOSÉ DIRCEU vs. VEJA

Logo da campanha contra a Veja em 2003.

Jornalismo político volta à Era da Pedra Lascada
Por Alberto Dines
30/08/2011 na edição 657 do Observatório da Imprensa
“Caso o ministro Paulo Bernardo (Comunicações) fique insustentável, a presidente Dilma tem seu preferido: Franklin Martins”. (“Panorama Político”, O Globo, domingo, 28/8, pg. 2). Três linhas apenas, no pé da coluna. O suficiente, a mídia entenderá o recado.
Há hoje uma metamensagem ou criptojornalismo, cifrado, exclusivo de um seleto grupo de iluminados. O governo manda suas mensagens, a mídia é obrigada a entender. Mesmo não gostando. A réplica pode vir com a mesma sutileza. Profissionais não brincam em serviço. Faz parte do jogo democrático.
O que conspira contra o jogo democrático são as ameaças de rupturas. O presidente Lula não entendeu, não quis ou não teve paciência para entender o tricô das raposas. Subia no palanque e “mandava ver” – ou mandava brasa, como se dizia na Era Jango. Criou impasses, cavou confrontos perigosos.
É o que fez Veja com a sua última matéria de capa sobre o ex-ministro José Dirceu (“O poderoso chefão”, edição nº 2232, data de capa 31/8/2011). Sutil como uma carga de cavalaria – e tão eficaz quanto esta –, produziu um curto-circuito, reintroduziu a imprudência no diálogo governo-imprensa. Repercutiu no exterior. E daí?
Frágil, inconsistente
A verdade é que a matéria recoloca o jornalismo político brasileiro na Era da Pedra Lascada. Traz de volta os vídeos clandestinos, os arapongas, os dossiês secretos jogados no colo de jornalistas ditos “investigativos”.
José Dirceu, mesmo sem cargo ou mandato parlamentar, suspeito de integrar um grupo que está sendo investigado pelo Supremo Tribunal Federal, é um dirigente nacional do partido que ganhou as eleições para a Presidência da República, é também um consultor/lobista. Pode alugar um andar inteiro num hotel dez estrelas em Brasília ou Luanda e nele receber legiões de correligionários, clientes e amigos. Não há nada de ilícito ou malfeito (para usar o dernier-cri dos substantivos).
O texto inteiro de Veja, da primeira à última linha, é customizado, adaptado para servir à tese de que o ex-chefe da Casa Civil está conspirando contra a sua sucessora, atual presidente da República. Não há evidências, apenas insinuações, ambigüidades, gatilhos.
Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, é amigo pessoal de Dilma Roussef, não poderia conspirar contra ela. José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras cujo maior acionista é o governo, não enfrentaria o seu maior eleitor quando reiniciar sua carreira política. Delcídio Amaral é um petista light, quase-tucano.
A lista dos “conspiradores” é frágil e as possíveis motivações, inconsistentes. O conjunto é disparatado, não faz sentido, carece de lógica. Mesmo enquanto ficção.
Um desserviço
Os encontros gravados duraram em média 30 minutos, tempo insuficiente até para acertar uma empreitada de pequeno porte. Devidamente investigados, os fatos poderiam vincular-se e ganhar alguma dimensão. No estado bruto em que foram apresentados pelo semanário de maior tiragem do país representam um atentado à inteligência do leitor, não renderiam sequer uma nota numa coluna de fofocas políticas.
Este é um jornalismo que não se sustenta, é retrocesso. Não favorece a imagem da imprensa, não ajuda a presidente Dilma, prejudica a oposição. Faz esquecer a faxina moralizadora e degrada o processo político
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