31 de mar de 2011

Corpo de José Alencar chega a Belo Horizonte para ser velado e cremado

Reprodução do site: UOL Notícias*

Em São Paulo

Despedida de José Alencar

Foto 73 de 78 - 30.mar.2011 O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva beija o ex-vice durante velório do ex-vice-presidente José Alencar, em Brasília, nesta quarta-feira (30) Mais Roberto Jayme/UOL
O corpo do ex-vice-presidente José Alencar chegou ao aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, capital mineira, por volta das 9h16 desta quinta-feira (31). O transporte de Brasília, onde Alencar foi velado ontem (30) com honrarias, até Belo Horizonte foi realizado em um avião da FAB (Força Aérea Brasileira).
Um outro avião com os familiares de José Alencar e autoridades pousou na Pampulha pouco antes das 9h. Eles foram recepcionados pelo governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia, e outras autoridades do Estado.
Alencar será velado no Palácio da Liberdade, antiga sede do governo mineiro. O cortejo que levará seu caixão será feito em um carro histórico do Corpo de Bombeiros. O trajeto passará por importantes ruas da cidade, que serão interditadas, e deverá demorar cerca de meia hora.
O velório será aberto ao público e deve durar até as 13h. Depois disso, o corpo de Alencar será cremado, conforme era seu desejo.
Estarão presentes a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teve Alencar como vice por oito anos. Também devem comparecer ao evento políticos mineiros como o governador Anastasia, o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, ex-ministros e ministros nascidos no Estado e os senadores Aécio Neves (PSDB) e Itamar Franco (PPS).
Em Brasília
O corpo do ex-vice-presidente deixou o Palácio do Planalto hoje, por volta de 6h30 desta quinta-feira (31), e seguiu até a Base Aérea de Brasília, de onde embarcou por volta das 7h47 rumo a Belo Horizonte.
Na quarta-feira (30), duas missas de corpo presente foram celebradas e mais de 8.000 pessoas passaram pela capital federal, de desconhecidos a familiares e amigos no Palácio do Planalto, para prestar as últimas homenagens a Alencar.
Muitas das autoridades que estarão no velório mineiro já prestaram homenagens a Alencar no Palácio do Planalto, onde o corpo foi velado ao longo de toda a quarta-feira, depois de deixar São Paulo – o ex-vice-presidente morreu na terça-feira (29), no hospital Sírio-Libanês, após longa batalha contra o câncer.
Além da família, devem se deslocar para a capital mineira parentes espalhados pelas cidades interioranas de Ubá, Montes Claros e Muriaé.
Funcionários da Coteminas, empresa têxtil que deu a Alencar sua fortuna e que hoje é administrada pelo filho Josué, também devem comparecer. Milhares de pessoas devem passar pelo Palácio da Liberdade para render homenagens.
A família do ex-vice-presidente tem residência na capital do Estado, mas a viúva, Mariza Gomes da Silva, passou a maior parte dos últimos anos dividida entre Brasília e São Paulo, onde o marido se tratava.
Quarta-feira de honrarias
O Palácio do Planalto, na capital federal, recebeu o primeiro velório desde a morte de Tancredo Neves (1910-1985). O corpo de Alencar foi velado com honras de chefe de Estado – durante as viagens de Lula ele governou por mais de 500 dias e assinou mais de 2.000 decretos presidenciais. A concessão foi feita por Dilma, que antecipou retorno da viagem a Portugal, onde teve reuniões bilaterais e onde Lula recebeu título de doutor honoris causa pela Universidade de Coimbra.
A primeira missa em homenagem ao ex-vice-presidente foi rezada no Salão Nobre pelo representante do Vaticano no Brasil, o núncio apostólico dom Lorenzo Baldissieri. A segunda, com a presença da presidente e de seu antecessor, teve como condutor o secretário-geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Dimas Lara Barbosa. Ministros e ex-ministros estiveram presentes nas duas cerimônias religiosas, a pedido de Dilma.
Foram eles que acabaram consolando Lula, que chorou várias vezes, beijou a testa de Alencar e conversou bastante com Josué. Em seu único momento de descontração na noite, ao lado do caixão, o ex-presidente fez à viúva um gesto com o polegar como se estivesse bebendo. O governo transformou o ex-sindicalista e o empresário em grandes amigos, que gostavam de compartilhar doses de cachaça mineira.
Dilma prestou homenagens de forma mais sóbria ao amigo e trocou apenas algumas palavras com a viúva, a quem abraçou no fim da celebração. Ela também consolou a ex-primeira-dama, Marisa Letícia. Mais ouviu do que falou. Sorriu quando Lula fez o gesto com o polegar. E o tocou depois que ele voltou a chorar.

Na missa, dom Dimas Lara Barbosa classificou Alencar de “guerreiro vitorioso”. Ele disse ainda que por conta da doença, detectada pela primeira vez em 1997, “nosso irmão já estava preparado” para o fim da vida.
Das 8.000 que pessoas passaram pelo funeral em Brasília, uma delas furou a segurança e se aproximou do caixão: a ex-servidora do Palácio do Planalto Marlene Celestino de Araújo colocou um terço nas mãos dele. Depois, abraçou a viúva. A maioria das pessoas mostrava resignação pelo ex-vice, que lutava contra a doença há mais de 13 anos. Mas também havia lágrimas.

Biografia

Mineiro de Muriaé, na Zona da Mata mineira, Alencar é uma figura ilustre no Estado e, por isso, o governo espera um grande número de admiradores para o último adeus na quinta-feira. Antes de se tornar vice-presidente de Lula, foi candidato derrotado ao governo estadual em 1994. Quatro anos depois, elegeu-se senador com 2,9 milhões de votos.

Filho de um pequeno comerciante de um vilarejo mineiro, José Alencar Gomes da Silva começou a trabalhar cedo e deixou a família quando tinha 14 anos para empregar-se numa loja na sede do município de Muriaé. Em 1947, atrás de um emprego melhor, mudou-se para Caratinga, cidade onde conheceu Mariza.

Aos 18 anos, foi emancipado pelo pai (na época, a maioridade civil ocorria aos 21 anos) e, com apoio financeiro de um irmão, abriu uma loja na cidade – “A Queimadeira”. Hoje, a Coteminas S.A., controlada pela família de Alencar, é a maior empresa do setor têxtil do país e um dos mais importantes grupos econômicos do Brasil.

Em 2002, disputado pelos candidatos à Presidência da República, optou pela aliança com o PT de Lula. Na época, era membro do PL, partido ao qual aderiu depois de perder espaço no PMDB. Em 2006, foi reeleito vice-presidente, desta vez pelo PRB – que dará o seu nome à fundação do partido. Em 2004, ele também ocupou o Ministério da Defesa, em caráter emergencial. A doença o impediu de disputar qualquer cargo em 2010.

Ainda assim, fez campanha por Dilma, que venceu as eleições com grande ajuda dos mineiros. Dificuldades pós-operatórias o impediram de descer a rampa do Palácio do Planalto ao lado de Lula no dia 1º de janeiro de 2011. Alencar lutava contra um câncer na região abdominal há 13 anos e chegou a fazer 17 cirurgias durante o tratamento contra a doença.


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