21 de fev de 2011

O que os jornalistas fazem no fim de noite

Recebi via e-mail. Essa é a dura realidade do jornalista.

O redator de Geral encontra os amigos no bar – mesmo nos dias em que deixa a redação bem tarde – e, com um copo de chope, brinda a sobrevivência a mais um dia de trabalho.

A repórter de TV, após acompanhar o Big Brother no Multishow, toma umas três xícaras de café forte e começa a escrever o texto que deve entregar no dia seguinte cedinho à editora.
O diagramador liga o computador assim que chega em casa – passou o dia inteiro na frente de outro – e fica fuçando o Facebook alheio, postando no Twitter, curtindo sacanagem.
O foca fica trancado no quarto, deitado na cama, Kafka aberto no peito, olhando pro teto e pensando que já é hora de alugar um apê, mesmo minúsculo, e deixar a casa dos pais.
O redator de Internacional janta com a mulher e os filhos, vê um pedaço do jogo na TV, dá uma transadinha bem meia-boca e prova que existem, sim, jornalistas com vida normal.
A moça do Arquivo, sempre sem sono, assiste a filmes dublados na TV aberta – queria ter dinheiro para pagar um Telecine – e se irrita com o vira-lata do vizinho que late sem parar.
A estagiária dá papinha pro filho, limpa a bunda de merda do filho, se esforça pra lembrar cantigas de ninar pro filho e reflete: “por que dei praquele editor casado sem camisinha?”.
A fotógrafa vai a um inferninho, entra em transe com o mix de música eletrônica e vodca, e esquece que não recebe um aumento de salário há exatos dois anos, três meses e 17 dias.
Duda lembra que precisa escrever um texto para postar no blog na manhã seguinte e que ainda não produziu porra nenhuma. No passado, entraria em pânico, mas agora está relaxado. Um cronista famoso disse certa vez que “o deadline apertado é a melhor inspiração”. Começa a imaginar então o que o redator de Geral boêmio, o foca oprimido, a moça do Arquivo insone estariam fazendo naquele momento. 

Duda Rangel


Fonte:http://desilusoesperdidas.blogspot.com

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